April 17, 2011

Aos Anéis de Saturno (Navegando de mãos dadas.)

Navegamos juntos, pelo silêncio da noite
e, do fundo do mundo ouvimos
os ruídos trazidos das crateras mais profundas
de onde rugem as flamejantes labaredas azuis
em que a força da água se perde em vapor.

Pela via, por de baixo do Gigante Branco
seguem os teus castanhos de avelã
mirando-me com placas de ouro em todo tú
e cujos sorriso curioso esboçado em pergunta
me faz sentir que a verdade é não mais
que uma palavra tola largada ao vento;

ribombando com a força de mil trovões
em pano de seda amarrado na dura madeira de carvalhos.
Oceâno cortado à proa
com a força de centenas de soldados brancos
marchando casa a casa de objecto de mármore.

A brisa sossega enquanto miro por lentes
que em deante se vistará a Tormenta de Apollo
ajudado à ira de Zeus e largando sobre(,)
os Céus quando Atlas vacilar no seu pedestal.

Mão segura à tua, lanço-me em frente.
É bom ver-te sentir o vento quando a liberdade
te não mais chega se não em brisa.
É bom ser eu a dar-ta à boca e tu a mim
num beijo tão simples e vital como o líquido
de sangue e cor tão pura quanto tu e eu.

Quando em nébula não mais há: pára.
E quando os Anéis de Saturno sossegam magicamente
da su inércia milenar quando, por breves instantes
a tua visão cruza os meus olhos de oliva cintilante
por te ver; navegando de mãos dadas.


Maxwell R. Black
April 17, 2011
05.32am

April 15, 2011

Agora.

Eu não procuro mas também não quero ser encontrado. Não me quero apaixonar nem me quero dar a mais ninguém. Parei de me dar. Parei de querer sentir. Agora vivo aquilo para que fui creado e depois morro, sem deixar marca. Resigno-me a viver isolado na multidão. Sempre assim fui e apenas estaria a enganar-me pensando o contrário.

Maxwell R. Black
April 14, 2011
11.37pm

April 02, 2011

O nosso pedaço de pano.

Vazio.
Perdi-te quando te sentia tocar-me
e, agora, pouco mais resta que o teu cheiro
tão familiar e tão distante num pedaço de pano
que se perde a cada segundo, a cada lembrança.

Se pelo menos visses o que sinto talvez percebesses
que nunca te quis magoar.
O porque de não te querer dizer que te amava.
Porque eu tenho que ter a certeza do que digo
e, a partir daquele momento senti-o com certeza.

Não passa uma noite que me não atinja o salgado
doce da amargura de quém perdeu;
Não há um mommento em que me não parta
do único pedaço físico de tua Alma que ainda me resta.
O único corpo de ti que dorme comigo
que me vai na bagagem onde quer que eu vá
para que, a qualquer altura eu te possa cheirar
e pensar que, pelo menos enquanto os meus olhos
se cerram por instantes estamos juntos.

Não mais me posso pegar a memórias
embora te receba e receberei sempre
minha magia, perfeição,
É hoje a ultima vez que te deixo o negro pano
partilhar dos meus sonhos.

Esperar-te-hei ainda, porque vamos ficar juntos no fim;

Despeço-me numa lágrima
esperando que as tuas palavras não sejam elas parte da minha Utopia.

Maxwell R. Black
April 02, 2011
05.09am

Ninguém.

Há quando se pensa se vale a pena viver.
Porque cada pessoa que conhece deixas de conhecer.
Cada vida que tocas é uma vida onde nada
mais és que memória.
E do Real? No real todos partam com falsas promessas.
O meu dilema é, afinal, tão trivial e
ainda tão pouco percebido: memória. Lembranças,
que te forçam sem querer fazer mais.
Estou cansado de memórias falhadas,
dos momentos que foram apenas isso,
da forma tão leviana com que reciprocam ‘Amo-te’.

Mais uma vez, desilusão.
Não com uma pessoa mas com uma espécie a que
se chama de Mundo.

Perdido em terras de Ninguém
sem guia para mim próprio;
Cavaleiro com cavalo de pau,
uma miragem, fantástica, Ninguém.


Ninguém. . . Para sempre. . .

Maxwell R. Black
April 01, 2011
08.56pm

March 29, 2011

Miro-te, janela Verde.

Do topo do mundo mirei
a janela cuja flama resplandecente
brilhava e plena luz das estrellas reflectidas em rio.
Como a protegi do vento eras tu
que, com temor da sua não existência e calor
desci levemente a madeira carbonizada,
cravando-a no peito; espada
de lamina romba e enfeitiçada
cujo verde de musgo molhado cobre
agora a alvenaria em tijolo, usada e gasta
pelo Homem e pelo tempo e pelo vento.
Vento. Que me leva em sopro
e me sustenta não mais pode conmigo.
Se por ter-te não te posso ter então
é quando mais te quero:
Voar num tapete em direcção à Lua
reflectida no espelho de àgua cravado
em disformes metais polidos e esculpidos
com o cuidado de quem faz uma peça única
A dança do Universo cessou no momento
em que os nossos passos se aproximaram
e te hamparei desajeitado…
Quando a magnifica colisão Celeste
largada de pedaços de rocha incandescente por entre
os anéis de cobre e gelo finalmente se extinguir
nada mais que os vulcões de gás e de lava
Oceanos ardentes de verdejantes mantos de flora
vales de àgua alimentada durante gerações
pelo ouro tão bem escondido e o rubro do sacrifício.
O tapete, saída única de mim em mim
torna-se um feitiço perdido e sem retorno
qual esfera transparente e intocável que reflecte cada côr
reproduzindo em si os cristais do arco-íris
e a tapeçaria da História perdida do Reino.
Uma viagem abordo da nave sem marcha-ré
e de onde o azul ‘neon’ do plasma mostram apenas um sentido:
Os anéis de gelo em Gigantes, os azuis de céus perdidos
mantos de lava por descobrir mas sempre em direcção
as Estrellas.

Maxwell R. Black
March 29, 2011
05.57am

March 25, 2011

Vozes me dizem que é simplesmente um teste.
Mais um de tantos que tu e eu fazemos.
A dúvida cresce em mim. Porque me disseste
que não querias isto agora, que te prendo de seres quém
és porque queres ser comigo.
E, se, no entanto, a verdade é a primeira então falhei.
Testas-me em quê? Capacidade de fazer? Reacção?
Sofreguidão? Palavras mascaradas de real deixaram-te.
Mas pergunto-me se o núcleo envolvido por rosas de solidão
será do mesmo material…

Não posso crer que me tornarias por um teste menor
porque ambos acreditamos no fim.
Mas as vozes dizem-me para te fazer ver o fim em vez
da parede em frente. E tu dizes-me que não queres
que te convensa… Assim não sei que fazer…
A tua palavra é, para mim…

Não testes a minha crença na tua palavra.
Porque sou a Utopia que acredita que é possível tocar o Horizonte
Ingénuo e crente no que vejo.
E o que vejo é um fim de linha, término
não sei se de Nós ou apenas de Ti como te conheço.

Não luctes contra mim. Não me afastes.
Porque o que me mostraram até hoje foram promessas apenas
que preferiram deixar suspensas, vendo-me de longe,
sugando de mim o que precisavam e atirando depois fora
sem pensar em mim.

O aguadeiro recolhe as àguas do conhecimento,
absorve-o e deita-as de novo ao Mar, deixando
o líquido ficar o que pretende e ir o que se mostra com essa vontade.
Não mostres vontade porque eu deixo; sou Eu…
Eu sofro em silêncio mas tomo com braços abertos quem retorna:
um filho tem que aprender por si se tomou a certa.

Sou o Utópico errante e crente na verdade das palavras
e, agora, fico sem saber se te creditar ou sentar-me e fazer o teste.

Pick me, choose me, Love Me.

Maxwell R. Black
March 25, 2011
05.15pm

March 23, 2011

Páginas soltas.

Há memórias que gosto de conservar. Porque no fim, tudo o que nos resta são as memórias. As pessoas vão e vêm, os momentos são fugazes, instantâneos, a matéria desfaz-se em pó deante dos olhos e mesmo a própria memória falha. Enquanto sobreviver vou juntando pedaços dos outros e pedaços de mim que me roubaram, agarrando-me em linhas de suporte tão frágeis quanto cristais de gelo em perpétuo e previsível destino de retornar ao liquido.
Permite-me que te cite sem que saibas para que mais tarde eu possa olhar para trás e lembrar-me de um instante em que tive a única pessoa que me garantiu que não ia morrer sozinho.

A consequência da circunstância é privativa da Felicidade até que ponto? Somos o que fomos, o que fizeram de nós e o que nos tornamos mas, nunca deixamos de ponderar, a certa altura, o que aconteceria se a circunstancia fosse diferente. Se não fosse de determinada maneira, o que aconteceria se a circunstancia fosse diferente, ou de determinada maneira ou se cronologicamente, noutro ponto da nossa (e da outra) vida...

"Por vários momentos fixamos o olhar como que a encurtar o espaço físico... a barreira pesada do querer ter, possuir e poder viver! Frustrantes e prazerosos instantes que nos tornavam "simultâneo", para depois acordar para o mundo acordado e embaciado. Perder-me no Verde saciando o meu simples Castanho... Do nada, surpreendido por ti, por mim e pelo que nunca tinha sido dito!"

Mais uma vez, forçosamente, o retorno. Alguém é sinonimo de independência de posse. Traduzindo, se nem a matéria inanimada chega a ser verdadeiramente nossa, como é possivel querer ter alguém, se alguém traduz-se em algo que não pode ser encaixado em simultâneo com um determinante de posse? Ou seja... Duas questões:
Até que ponto temos realmente posse de alguma coisa? E como podemos querer algo como nosso, se esse algo não pode ser assimilado como ser de alguém (porque ninguém pode ser de alguém) e tendo em conta o paradoxo circunstancial que, esse alguém (que não pode ser de ninguém), já pertence a alguém e a alguma coisa?

"Queria ser mais mágico para contrariar o real e o metafisico... controlar para poder escolher simplesmente, ser escolhido... porque afinal, tudo se resume a escolhas e eu sinto que unicamente, eu nunca sou opção viável numa das minhas matrizes de eleição!"

H. Bastos

Hoje sou Eu quém te diz 'Tem um bom descanso nessa realidade do sono, onde tudo é possível... Que os teus sonhos sejam mágicos tal e qual tú, porque dessa forma, eu sei que o teu sono é perfeito! Até já! Beijo enorme! '.

March 22, 2011

'A distância continua a ser a maior barreira do Homem, por mais maneiras que tenhas de falar e vêr. A falta do toque, do cheiro, da vida... Saberes que no outro lado do país está o teu encaixe perfeito e não poderes deixar tudo para fugirem para um Mundo só vosso. A pior dôr de todas é a Perda.'

Maxwell R. Black

March 22, 2011

0
05.09 am


March 16, 2011

Escarpa por voo teu (No Good Deed Goes Unpunished)

E, sem me aperceber
deixei que eu tomasse conta de mim
sem que a verdade que sou em normal
transparecesse.
Apaixone-me numa noite no topo do mundo
com uma rosa e um momento apenas nosso,
Vejo agora o quão levaste já de mim
porque é como se cada palavra que te deixou
esses lábios que a paixão tocou
largasse em si algo seco e duro
que arrancou de novo o que demorei tanto por plantar.

Cada lágrima que me congela as feições
é um grito de dor incessante de carne lacerada
com lâminas sem intenção.
E cada inspiração é como respirar ácido
que mata e seca cada interstício
sugando a Alma da realidade e empurrando-a
cada vez mais ao precipício que ganhou hábito
de chamar Lar. Escarpa gritantemente serena
nos seus nus traços moldados pelos ventos do Passado
que se revela agora transparente.

Num gesto eterno para te salvar matei-me;
ao que te desviou o olhar para mim fiz questão de banalizar
trazer-te não pela inteligência mas pelo habito.
Não é vulgar ter que ser inteligente.
Não é já comum ter que lidar fora do vulgar
largando os fantoches que fingem ter vida
e tornando ao meu mundo (o Real) que te mostrei de relance
ainda que em sombras.
Porque nem eu mais sei qual é, se é que ainda existe.
Fizeram questão de o erradicar de mim.

Não sou Eu o Homem que procuras e apenas tenho pena de te ter feito perder o teu tempo em acreditar eu próprio que o era.


Maxwell R. Black

March 16, 2011

0
2.46am

February 28, 2011

Thoughts to lead nowhere.

You remind me of something like beauty
inner peace that breaths
and a dream he had with her.
He thought this me by of goodnight
was already not realizing
He was a book half written.
Remembrals of non existing days
as if small fairy tales.
He wished they could be his
life and that she was read.

But yesterday was not reality?
and the dream soon became just
another memory of a non existing
person, a non existing place and
a non existing feeling.

Thoughts to lead nowhere.


Maxwell R. Black
08.32pm
February 24, 2011

February 18, 2011

Segura-me, juntos



O dia em que te beijei perdi-te
aos braços de quém mais amavas
e d’onde as lágrimas cahidas não mais te irrigarão
o verdejante mato em flôr de Inverno.

Se te alembrares da verdade
escondida em thi sem que te percebas
ou comprehendas o nevoeiro
como gelo que te cresce em plena
memória da verdade.

Hoje, talvez um dia em que as
cordas do Cello toquem de novo os accordes
para a esperânça de um sorriso teu;
olhos que, também em verdes, miram
o render do Sol à Coroa Celeste
em cinzas e quentes em tella de Espaço.
Quais diamantes em direcção
ao cadente que se te affigura tão
tão longe e, em tempo igual, tão perto.

Se, pela única vez que te vi em chamas
propulsão contra-natura que te ellevam,
em paço mais perto das
Estrellas.





Maxwell R. Black
February 14, 2011
04.20pm

January 08, 2011

Ao sillencio da madrugada, ouvi-te chamar por mim.

Ouvi-te chamar por mim, ao sillencio da madrugada.
Em interrogação segui-te o acorde melódico da tua voz
e serenei ao desenlaçar o arbusto encoberto
pella escoridão da noite, em luar de Lua baixa.
O vento, que até então fustigara as altas copas invisíveis
do céu silenciara-se para te revelar
ao fundo, no cume do planalto de verde quasi perfeito
que ainda se via já illuminado do Gigante Nocturno.

Todo o animal quietou e se recolheu
como sinal de respeito ao te ver luzir por deante
da natura com tremenda nobreza e humildade
enfeitiçada.

Quis-te tocar o corpo macio de cetim encarnado
e juntar-me a ti como um só sem que ambos nos esquecesse-mos
do outro.
Um interminável momento onde a física pára
e a areia se suspende no Tempo. Para sempre.

A interminável melodia da tua voz
em sussurro no meu ouvido
Com a doce e, ainda assim monocórdica palavra de conforto
de quem me lê por dentro e anui;
Eco do Vento trazido de Orionte
.

Maxwell R. Black
January 08, 2010
03.40am

Receber

É tempo já de escolher. Perder o medo de perder e finalmente chegar a uma conclusão.
Os últimos meses têm sido ‘de dar’. Partilhei de mim a mais do que deveria, na espera de receber algo em troca. Um simples ‘Olá’ e um sorriso me bastaria. Dei-me de mais a gente que o merecia. Retive-me quando não devia e larguei ao vento palavras sem efeito, suadas aos ouvidos de quem as deveria ouvir. Acima de tudo foi um ano de perdas. Perdi parte do que era, a cada pedaço que dei da minha ‘alma’ e perdi-os porque, quem os levou mos roubou. Perdi de quem mais importava por duas vezes e deixei que levassem a minha confiança em alguma vez o voltar a fazer. Não o quero voltar a fazer. Não quero voltar a dizer ‘Olá’ sem me dizerem de volta.
Assim, quero fazer desde ano um ano para receber. Porque me cansei de correr. Quém finalmente quizer luctar por mim, não o impeço mas também não facilito. Chegou a altura de re-definir quem realmente é amigo e quem é um mero conhecido sem importância. Sim, é essa a minha resolução de Ano Novo: que o próximo ano seja de receber.

Maxwell R. Black
January 04, 2011
04.13pm